quinta-feira, outubro 19, 2006

palhaços sem fronteiras

Ontem, no Itaú Cultural, a mesa 3 de debate no evento Antídoto teve o tema: "A ausência do verbo brincar: crianças armadas". Como convidados para discutir a questão, estavam presentes Shai Schwartz - ator, dramaturgo e contador de histórias - e Tim Cunningham - integrante da organização humanitária Palhaços sem Fronteiras, com ações em zonas de conflito em todo o mundo. Na pauta, os graves resultados do "amadurecimento" precoce das crianças que vivem em zonas de conflito. Forçadas a deixar o ritmo natural de crescimento e descobertas, elas passam a reproduzir comportamentos inadequados à infância. Com o lema "No child without a smile" (Nenhuma criança sem um sorriso), os Palhaços sem Fronteiras, surgidos na Espanha, em 1993, levam diversão e esperança a milhares de pequenas vítimas da violência no mundo. Entrevistado por Marco Aurélio Fiochi, em matéria para a revista do Itaú Cultural, Tim Cunningham, 28 anos, conta um pouco da sua experiência com esse trabalho:

"Em julho passado, viajei para a Suazilândia com uma outra organização de justiça social, a Wndsor Mountain International. Levei um grupo de alunos do ensino médio para um orfanato em Mbabane, onde já havíamos apresentado alguns shows de palhaços e realizado workshops. Quando cheguei, fui rodeado de crianças que se lembraram de mim e realizaram o show que eu havia apresentado para elas havia alguns meses. Na verdade, acho que elas foram mais engraçadas do que nós! As crianças atuaram para mim com tanta alegria e energia, era possível ver como a experiência que havíamos compartilhado com elas foi transformadora. Muitas das crianças também aprenderam os princípios básicos de malabarismo quando a CWB-EUA esteve lá pela primeira vez. Outras estão se tornando malabaristas capazes e não têm medo de apresentar seu talento."

Quando questionado sobre o papel do palhaço e se ele pode mudar o mundo, responde:
"Oxalá! Mas, infelizmente, não. Os palhaços não podem consertar o mundo. Pelo menos, não sozinhos. Eu acredito que os palhaços, com a ajuda de médicos, advogados, enfermeiras, políticos, encanadores, motoristas de táxi, músicos, lavadores de louça, podem fazer algo para melhorar o mundo trabalhando em conjunto. Há muito a ser realizado, e esperamos estar fazendo a nossa parte para melhorar as coisas neste planeta. Talvez a luz que oferecemos inspire outros a criar algo que é único para seu próprio ser, de forma que eles também possam ajudar a melhorar o mundo. Usamos esperança, sonhos, diversão e boa-fé para oferecer alegria a todos."

Apoiadíssimo, Tim!!!

Veja + da entrevista

Na foto: Cunningham e os "Palhaços sem Fronteiras" em Kwazulu-Natal, África do sul) - by Ellen van den Bouwhuysen

Nenhum comentário: