segunda-feira, abril 23, 2007

perguntas diretas

- Esse é o peixe-boi! – descrevi, do alto de minha sapiência, a foto esmaecida em um velho livro que guardo em casa.
- Cadê o chifre dele?
A investida da pergunta enfezada cutucou de tal forma meus conhecimentos que quase fura as minhas calças com os chifres do peixe que não era boi. Quem perguntava, acomodado no meu colo, era o Pedro, meu filho de quatro anos. O mesmo que, dia desses, tentou entrar num formigueiro, forçando o dedão do pé no buraquinho que dá para a porta da frente da casa das formigas.
- Infinito é mais que quatro? – ele, de novo.
Claro que não, se quatro é tudo o que você sabe contar. A seriedade destas perguntas encharcam a alma de ternura. A lógica infantil é fulminante. Fulminante, porque direta. Porque não comporta subterfúgios. 

Luiz Eduardo Cheida
www.cheida.com.br

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