segunda-feira, setembro 10, 2007

porque sou

SONETO VIII
Se não fosse porque têm cor-de-lua teus olhos,
De dia com argila, com trabalho, com fogo,
E aprisionada tens a agilidade do ar,

Se não fosse porque uma semana és de âmbar.
Se não fosse porque és o momento amarelo
Em que o outono sobe pelas trepadeiras

E és ainda o pão que a lua fragrante
Elabora passeando sua farinha pelo céu,
Oh, bem-amada, eu não te amaria!
Em teu abraço eu abraço o que existe,
A areia, o tempo, a árvore da chuva,
E tudo vive para que eu viva:
Sem ir tão longe posso ver tudo:
Vejo em tua vida todo o vivente.

PABLO NERUDA In:"Cem sonetos de amor"

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