Saturday, February 24, 2007

Bolhas de sabão

Passados os dias de Carnaval, sobrou uma semana útil curtinha, começada no fim da tarde da quarta-feira de cinzas. Com cara de ressaca, mas repleta de trabalho. Depois de inúmeras divagações sobre relacionamentos, entre casais, entre pais e filhos, entre equipes, e depois de assistir Babel, acabamos na velha questão de sempre: o desafio da comunicação.

Como é difícil olhar o outro, entendê-lo, acolhê-lo e ainda expor suas próprias necessidades e vontades claramente nesse mesmo encontro, nesse mesmo espaço. Colocar-se sem invadir e sem desrespeitar o outro, mas também sem se anular e sem se omitir.

E nessa busca por uma receita para o equilíbrio nas relações, lembrei mais uma vez daquele texto do Rubem Alves, que acho que ilustra bem o tema:

TÊNIS X FRESCOBOL
Rubem Alves

Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os casamentos (relacionamentos) são de dois tipos: há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol.

Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa.

Explico-me. Para começar, uma afirmação de Nietzche, com a qual concordo inteiramente. Dizia ele: "Ao pensar sobre a possibilidade do casamento, cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: 'Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até sua velhice?' Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que DESAFIAM O TEMPO são aquelas CONSTRUIDAS SOBRE A ARTE DE CONVERSAR."


(...)

O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir sua cortada - palavra muito sugestiva, que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar. O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza do outro.


O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra - pois o que se deseja é que ninguém erre.

O erro de um, no frescobol, é como ejaculação precoce: um acidente lamentável que não deveria ter acontecido, pois o gostoso mesmo é aquele ir e vir, ir e vir, ir e vir... E o que errou pede desculpas, e o que provocou o erro se sente culpado. Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos...

A bola: são nossas fantasias, irrealidades, sonhos sob a forma de palavras. Conversar é ficar batendo sonho prá lá, sonho prá cá...

Mas há casais que jogam com os sonhos como se jogassem tênis. Ficam à espera do momento certo para a cortada.

(...)

Tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo, como bolha de sabão... O que se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem ganha sempre perde. Já no frescobol é diferente: o sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois se sabe que, se é sonho, é coisa delicada, do coração. O bom ouvinte é aquele que, ao falar, abre espaços para que as bolhas de sabão do outro voem livres. Bola vai, bola vem - cresce o amor... Ninguém ganha para que os dois ganhem. E se deseja então que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim...




Friday, February 16, 2007

Delicadeza

Existem momentos em nossas vidas que demandam maior cuidado. Uma atenção especial que nasce da simples boa vontade, da disposição de se colocar no lugar do outro e compreender as coisas a partir do ponto de vista alheio. Vivemos, na maior parte do tempo, voltados demais para nossas próprias perspectivas e carecemos de uma avaliação mais precisa, justa e sensível da realidade das pessoas que estão ao nosso redor.


Foto: Peter Cade - Getty Images

Tuesday, February 13, 2007

Tem coisa que não se explica...

"A diferença entre ficção e realidade? A ficção tem que fazer sentido."

Tom Clancy


A frase é muito boa, e faz a gente se ligar que querer sempre explicação pra tudo (dessas explicações imediatas e extremamente racionais e lógicas) é que é viver insanamente. Mas na verdade a questão é que não enxergamos sentido porque nosso olhar é estreito demais. Tudo faz MUUUITO sentido!

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Saturday, February 10, 2007

Mais um FELIZ ANO NOVO!!!


No calendário chinês, o ano novo só chega dia 18 de fevereiro. Para nós aqui, em pleno domingo de Carnaval! Então vamos lá, já que será duplamente dia de festa, vamos entrar no ano de 4704 com muita comemoração... :)





Foto 1: Hong Kong, by Craig Pershouse - Getty Images
Foto 2: Firecrakers, by Grant Faint e Dragons, by - Getty Images



Vida


"There is a universe that can't be seen, it's just a feeling if you know what i mean, a delectable dimension undetectable by sight, it'll fill up your heart in the dead of the night, some say it's an astral plane, can't be described, can't be explained..."

Costa da Caparica


Foto: João Dias / Olhares.com