sábado, janeiro 26, 2008

amamos


"Nunca amamos alguém. Amamos, tão-somente, a idéia que fazemos de alguém. É a um conceito nosso - em suma,
é a nós mesmos - que amamos."

Bernardo Soares
Livro do Desassossego (Fernando Pessoa)

Vira e mexe algo ou alguém me faz lembrar dessa frase, e dos conceitos a que ela remete e que são tratados nos divãs e mesas de bar... Acho que a coisa vai além, mas totalmente real que o objeto do nosso amor sempre desperta coisas valiosas dentro da gente. E é justamente esse "acordar" de sentimentos adormecidos, mas que já estavam lá, que nos leva a aquele estado de encantamento. Descobrimos ou redescobrimos coisas que ao aflorarem nos preenchem, ocupam espaços vazios ou colorem magicamente quartos já desbotados e sem graça...

Mas o negócio é que aquilo entendido como "provocado" pelo outro não foi simplesmente "criado" do nada, já existia... E essa participação especial do outro traz à tona, traz-nos à vida nesse interagir, nesse olhar, no rir, no trocar... Ah... e como isso é adorável! Como a gente fica bobo da melhor maneira possível de ficar.

Cada vez me descubro mais em você...

Foto: Smith Collection - Getty Images

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