sexta-feira, janeiro 11, 2008

O vazio

"E temos também de investigar a questão do vazio, uma questão da mais alta importância. Porque, se não houvesse vazio, nenhuma coisa nova poderia existir. Se só existe uma continuidade - que é tempo - então nenhuma atividade, nenhuma ação decorrente dessa atividade, pode produzir coisa nova. O que pode é só produzir uma "continuidade modificada". Não há mais tempo para examinarmos isto. Só a mente que compreendeu o espaço, a mente que conhece esse vazio, dele está perfeitamente cônscia, só ela é capaz de completa quietação. A quietação, o silêncio, não é produto do pensamento. O silêncio existe FORA do campo da consciência (sempre a voltear sobre si mesma, sempre um eterno retorno). Não se pode dizer: "Experimentei um estado de silêncio". Se o tendes experimentado, isso não é silêncio. Se disserdes: "Quero descobrir o que é o silencio e vou praticar o silêncio ficando calado" - se disserdes isso ou coisa semelhante, NÃO tereis o silencio (é como uma criança que diz que está dormindo). Já se compreendestes a consciência, a dualidade, o tempo, e a questão da disciplina, da ordem, isso significa que investigastes e descobristes por vós mesmo o que é espaço e o que é vazio. Na realidade, não podeis (ego) descobri-lo: ele DESCE sobre vós, torna-se presente... ...Do mesmo modo, assim como não se pode experimentar o espaço e o vazio, não se pode experimentar o silêncio. Mas, trata-se de um estado absolutamente essencial. Porque só nele pode haver uma energia completamente livre, incontaminada, não dirigida pelo (ego, vontade, desejo, esperança) prazer. E agora - se a mente percorreu toda esta distância, e isso faz parte da meditação - apresenta-se um FATO que não se pode expressar por meio de palavras. Porque as palavras têm sempre um significado limitado. Toda palavra é "carregada". Por exemplo, a palavra "amor" - que enorme "carga" ela contém, que peso ela tem!... ...O fato "amor" não é a palavra. Mas, para podermos viver nesse estado de amor e de beleza, necessitamos de espaço, de vazio e de silêncio. Do silêncio vem a ação; isso não é "aprender primeiro e depois agir". Nenhuma ação é então geradora de conflito! Então, a vida, o viver neste mundo, o freqüentar diariamente um escritório, o fazer coisas de todo gênero - se torna uma alegria, uma bem-aventurança que não é prazer, um êxtase não oriundo do tempo (pois não somos nós que vivemos, mas a Força, o Poder, a Energia Pura e verdadeira e inominada que vive em nós, no corpo, consciência sem centro). E, sem isso, não importa o que façamos, nem ordem nem desordem social, nem guerras nem conflitos produzirão um ente humano feliz." Krishnamurti

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