sexta-feira, janeiro 11, 2008

Espaço

"E agora podeis começar a investigar a questão do espaço e do vazio. Há necessidade de espaço, pois, de contrário, não pode haver liberdade. Na mente limitada não há espaço nenhum (o conteúdo morto constitui as paredes da limitação no fracionamento da consciência universal...). A mente respeitável, "burguesa", educada com muito esmero e, portanto, cheia de problemas, ansiedades, temores, desesperos - não contém espaço nenhum. Portanto, cumpre-nos examinar a questão do espaço. Que é espaço? O espaço é criado pelo conteúdo morto arquivado, pelo objeto. Tende a bondade de escutar e compreender. Aqui está este microfone - o objeto. Por causa do objeto existe espaço ao redor dele; e o objeto existe por causa desse espaço. Ali está uma casa e naquela casa há uma sala. A sala, por causa das quatro paredes, cria o espaço existente entre as quatro paredes; e há espaço ao redor da casa, do lado de fora. Dentro de nós há espaço porque existe um centro! Este centro (de ação) é o observador, o censor, o sujeito que busca, a entidade que diz "Eu fui", "Eu sou", "Eu serei". Esse centro cria espaço em redor de si; do contrário, ele não poderia existir. Ora, pode haver espaço SEM aquele centro? Só se pode responder à esta pergunta SEM "verbalização", SEM argumentação, SEM se apresentar tal ou tal opinião. Só há possibilidade de resposta SEM o centro (quando CESSA todo do movimento, como na ausência de som, surge o silêncio). E, se o centro existe e está a criar espaço, não há nesse espaço liberdade nenhuma; a pessoa está para sempre escravizada. A libertação, por conseguinte, requer que cada um descubra por si próprio o que é o "espaço SEM centro". Onde existe o centro, o objeto, este está criando espaço em redor de si; e, visto que ele existe e só pode existir no espaço que o cerca, não tem liberdade de espécie alguma. Consequentemente, enquanto existir um centro - isto é, o observador, (ego) a entidade que busca - há liberdade, pois só pode haver liberdade quando há espaço ABSOLUTO e não um espaço (relativo) encerrado entre os limites da mente. Krishnamurti

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