sábado, junho 21, 2008

assim

E ele aparecia sempre bonito, muito bonito. E ela derretia a cada sorriso dele. Ele, todo elegante, abria a porta e escolhia a música. Ela, ainda com seus traços de eterna menina-moça, ajeitava o cabelo e perguntava como tinha sido o dia. E ele largava as chaves na meia-luz, reclamando que ainda não tinha ganhado abraço. E ela olhava pra ele e respirava fundo, derretida com a realidade que parecia sonho. Ele arrumava a mesa e pegava o vinho e olhava nos olhos. Ela tremia por dentro. E ele chegava mais perto, falava do narizinho dela e ficava mudo de repente. E ela sorria tímida e fechava os olhos e então não parava mais de falar. Contava do trabalho, dos livros que andava lendo e do sonho da noite passada. Ele ria e apertava a mão dela entre as vírgulas. Caiam então deitados no sofá. Ela suspirava, sabia que ele tinha cheirinho de baunilha e grudava o rosto no pescoço dele. E ficavam lá, em silêncio, sentindo o coração bater.

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Um comentário:

Anônimo disse...

muito lindo