sábado, janeiro 10, 2009

dos tais duendes

De onde será que vem aquele "algo mais" que faz a gente pular da cama cedo, sorrir pro espelho enquanto escova os dentes, abocanhar o mundo com brilho nos olhos, adormecer no fim do dia cansado e agradecido porque amanhã tem mais?! Aquele "click" que faz a gente se encantar pelas pessoas, cantarolar no chuveiro, dançar sozinho? Energia mágica que cura qualquer gripe em segundos e resolve problemas dos mais terríveis. No finalzinho do ano reli um texto da Adilia Belotti que fala sobre esse "algo". Não revela o segredo, mas dá uma visão que se encaixa na minha e eu adotei:

"...lembrei de ter lido um dia uma conferência de Federico Garcia Lorca, o poeta espanhol, na qual ele explorava uma idéia embutida dentro de uma palavra-mágica: duende. Em espanhol, duende não se refere apenas aqueles espíritos travessos que habitam as casas, mas, aponta sobretudo para um encanto interior difícil de explicar. Um poder misterioso que habita em nós e que transforma qualquer ação banal em uma aventura e faz o sangue correr mais rápido no corpo. “Os grande artistas do sul da Espanha, diz o poeta, sejam eles ciganos ou flamencos, quer eles cantem ou dancem ou toquem, sabem que não é possível nenhuma emoção sem a presença de duende." Este duende de que fala Garcia Lorca não nasce de lugar nenhum fora de nós. Ele brota das nossas entranhas e colore de vermelho as nossas vidas apagadinhas. “A chegada de duende pressupõe sempre uma mudança radical em todas as formas e derruba por terra os velhos hábitos. Ele chega com sensações de frescor totalmente inéditas, com uma qualidade de rosa recém-criada, de milagre, que chega a produzir um entusiasmo quase religioso”. Duende é pura paixão pela vida. O poeta continua: “O duende ama as fronteiras, as feridas, e se aproxima dos lugares onde as formas se fundem em um anseio superior a suas expressões visíveis”. Ter duende é ser capaz de agarrar as oportunidades com os dentes. Ou, como diria um outro pensador do século passado, Henry Thoreau, “sugar o tutano do dia”. E brindar à vida, com olhos úmidos e agradecidos. Com duende, sim, todos os dias nos encontrarão ativos, autênticos fazedores de sonhos."

Adilia Belotti

Sim, sim. Tengo duendes!!! E duendes sem dúvida se multiplicam quando estou pertinho dos meus, pura e simplesmente conectada... onde quer que eu esteja.

*

2 comentários:

Tata disse...

ai ai ai.
que todo dia seja dia de duendes!
:-)

Dani disse...

Amém.