quarta-feira, novembro 11, 2009

minha vez



"Só deu uma mordida e depositou a maçã na mesa. Porque alguma coisa desconhecida estava suavemente acontecendo. Era o começo - de um estado de graça.

Só quem já tivesse estado em graça poderia reconhecer o que ela sentia. Não se tratava de uma inspiração, que era uma graça especial que tantas vezes acontecia aos que lidavam com arte.

O estado de graça em que estava não era usado para nada. Era como se viesse apenas para que se soubesse que realmente se existia. Nesse estado, além da tranquila felicidade de pessoas lembradas e de coisas, havia uma lucidez que Lóri só chamava de leve porque na graça tudo era tão, tão leve. Era uma lucidez de quem não adivinha mais: sem esforço, sabe. Apenas isto: sabe. Que não lhe perguntassem o que, pois só poderia responder do mesmo modo infantil: sem esforço, sabe-se."

Clarice Lispector


Aquela sensação gostosa de que tudo está certo. De que nada é preciso. Nem mudar nada, nem fazer nada, nem chegar a lugar algum. Momentos raros. A gente meio que fica fora do tempo. Acontece, simplesmente acontece.

imagem via imgfave

4 comentários:

Ni ... disse...

Que vontade de sentir este estado de graça...

Luciane Slomka disse...

Só a Clarice mesmo para conseguir dizer essas coisas. Bem escolhido o trecho, Dani! :)
Beijo!

os bons morrem jovens disse...

gostei do teu cantinho
virei seguidora
:)

Dani disse...

Ahh, Ni... é muito bom, não?! Aquela sensação gostosa de que tudo está certo. A gente fica meio fora do tempo. E é coisa que não dá pra gente ir atrás, sabe? Acontece, simplesmente acontece. :)

A Clarice fala pela gente, Lu. Fantástica. Beijo!

Super bem-vinda, Morgana! :)